Parece que hoje em dia as pessoas se esqueceram da expressão “em vez de” e usam apenas “ao invés de”, como se fossem sinônimas. Mas não são.
Invés significa “contrário”, “avesso”. Assim, “ao invés de” só será usado quando o sentido for “ao contrário de”. Nos demais casos, é mais adequado usar “em vez de”.
Exemplos:
- Ao invés de abrir a janela, fechou-a.
- Vire à esquerda ao invés da direita.
- Faça sua parte, em vez de ficar reclamando!
- Ao invés de se alegrar com a notícia, ela chorou de tristeza.
- Em vez de telefonar, resolvi lhe enviar uma carta.
- Fomos ao parque em vez de irmos ao shopping.
No dia a dia, muitos cometem certos deslizes na língua portuguesa, tanto ao falar quanto ao escrever, que geralmente se tornam vícios e precisam ser corrigidos. Aqui eu comento alguns deles com dicas de como falar em português claro. São erros que ouvimos diariamente e, muitas vezes, também cometemos sem perceber. É importante estar atento e falar bem em qualquer situação.
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
terça-feira, 28 de setembro de 2010
Onde x aonde
ONDE = lugar em que / em que (lugar). Indica permanência, o lugar em que se está ou em que acontece algo. Complementa verbos que pedem a preposição em.
Onde você estava? – Em casa. (estar em algum lugar)
A empresa onde ele trabalhava faliu. (trabalhar em algum lugar)
Não sei onde fica essa praça. – Essa praça fica no centro da cidade. (ficar em algum lugar)
Atenção: é comum o uso inadequado de “onde” em expressões que não indicam lugar físico. Por exemplo: “O relatório onde consta meu nome está desatualizado.” (uso correto = em que, pois relatório é um objeto, não lugar). “Houve um tempo onde eu dançava toda noite.” (uso correto = em que, pois tempo não é lugar).
AONDE = a que lugar. É a junção da preposição a + onde. Indica movimento (para/a algum lugar). Usa-se com verbos que pedem a preposição a.
Aonde você quer chegar? (chegar a algum lugar)
Você sabe aonde/para onde eles foram? (ir a/para algum lugar)
Faz dois dias que saí do hospital, aonde deverei voltar na semana que vem. (voltar a/para algum lugar)
Onde você estava? – Em casa. (estar em algum lugar)
A empresa onde ele trabalhava faliu. (trabalhar em algum lugar)
Não sei onde fica essa praça. – Essa praça fica no centro da cidade. (ficar em algum lugar)
Atenção: é comum o uso inadequado de “onde” em expressões que não indicam lugar físico. Por exemplo: “O relatório onde consta meu nome está desatualizado.” (uso correto = em que, pois relatório é um objeto, não lugar). “Houve um tempo onde eu dançava toda noite.” (uso correto = em que, pois tempo não é lugar).
AONDE = a que lugar. É a junção da preposição a + onde. Indica movimento (para/a algum lugar). Usa-se com verbos que pedem a preposição a.
Aonde você quer chegar? (chegar a algum lugar)
Você sabe aonde/para onde eles foram? (ir a/para algum lugar)
Faz dois dias que saí do hospital, aonde deverei voltar na semana que vem. (voltar a/para algum lugar)
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
Curiosidade: palíndromo
Palíndromo é uma palavra, frase ou verso que podem ser lidos da mesma maneira, tanto da esquerda para a direita como da direita para a esquerda. Por exemplo: ovo, osso, radar.
Seguem alguns bons palíndromos:
Socorram-me, subi no ônibus em Marrocos.
Anotaram a data da maratona.
A mala nada na lama.
O galo ama o lago.
Saíram o tio e oito Marias.
A torre da derrota.
Assim a aia ia à missa.
O mito é ele, Pelé é ótimo.
Alguém consegue construir um?
Seguem alguns bons palíndromos:
Socorram-me, subi no ônibus em Marrocos.
Anotaram a data da maratona.
A mala nada na lama.
O galo ama o lago.
Saíram o tio e oito Marias.
A torre da derrota.
Assim a aia ia à missa.
O mito é ele, Pelé é ótimo.
Alguém consegue construir um?
Seção, sessão e cessão
Essas três palavrinhas são homônimas homofónas ou imperfeitas, isto é, têm a mesma pronúncia, mas significados distintos. Veja a diferença entre elas:
SEÇÃO
Significa repartição, divisão.
- O refrigerador é vendido na seção de eletrodomésticos.
- Ele trabalha na seção de artigos esportivos de uma grande loja.
SESSÃO
É o tempo durante o qual se realiza uma atividade específica (uma reunião, um espetáculo etc.).
- Não assistimos ao filme porque perdemos a sessão das oito.
- Amanhã farei a primeira sessão de fisioterapia.
CESSÃO
É o ato de ceder.
- cessão de direitos, cessão da palavra.
SEÇÃO
Significa repartição, divisão.
- O refrigerador é vendido na seção de eletrodomésticos.
- Ele trabalha na seção de artigos esportivos de uma grande loja.
SESSÃO
É o tempo durante o qual se realiza uma atividade específica (uma reunião, um espetáculo etc.).
- Não assistimos ao filme porque perdemos a sessão das oito.
- Amanhã farei a primeira sessão de fisioterapia.
CESSÃO
É o ato de ceder.
- cessão de direitos, cessão da palavra.
terça-feira, 21 de setembro de 2010
A diferença entre por que, porque, por quê e porquê
Já percebi que muita gente tem dificuldade em diferenciar os porquês. Estas dicas vão facilitar a compreensão.
POR QUE
Quando houver a junção da preposição por com o pronome que. Pode ser substituído por “por qual motivo, por qual, pelo(a) qual, pelos(as) quais”.
- Por que você mentiu? / Ele quis saber por que você ainda não chegou. = por qual motivo
- Eu imagino os problemas por que você tem passado. = pelos quais
- Ela é a mulher por que vivo. = pela qual
PORQUE
É um advérbio de finalidade ou causa. Pode ser substituído por “pois, já que, na medida em que”.
- Ele não chegou porque ainda é cedo. = pois
- Não fui trabalhar porque estava doente. = já que
POR QUÊ
Sempre que a palavra que estiver no fim da frase, deve ser acentuada, independentemente do que venha antes dela.
- Ele ainda não chegou por quê?
- Ela não veio e nem disse por quê.
PORQUÊ
É um substantivo; portanto, deve ser precedido de artigo (o, os), pronome (meu, meus, seu, seus, esse, esses, aquele, aqueles, quanto, quantos etc.) ou numeral.
- Ninguém sabe o porquê dessa gritaria. = motivo, razão
- Este porquê é substantivo. / Quantos porquês existem na língua portuguesa? = nesses casos, trata-se da própria palavra
POR QUE
Quando houver a junção da preposição por com o pronome que. Pode ser substituído por “por qual motivo, por qual, pelo(a) qual, pelos(as) quais”.
- Por que você mentiu? / Ele quis saber por que você ainda não chegou. = por qual motivo
- Eu imagino os problemas por que você tem passado. = pelos quais
- Ela é a mulher por que vivo. = pela qual
PORQUE
É um advérbio de finalidade ou causa. Pode ser substituído por “pois, já que, na medida em que”.
- Ele não chegou porque ainda é cedo. = pois
- Não fui trabalhar porque estava doente. = já que
POR QUÊ
Sempre que a palavra que estiver no fim da frase, deve ser acentuada, independentemente do que venha antes dela.
- Ele ainda não chegou por quê?
- Ela não veio e nem disse por quê.
PORQUÊ
É um substantivo; portanto, deve ser precedido de artigo (o, os), pronome (meu, meus, seu, seus, esse, esses, aquele, aqueles, quanto, quantos etc.) ou numeral.
- Ninguém sabe o porquê dessa gritaria. = motivo, razão
- Este porquê é substantivo. / Quantos porquês existem na língua portuguesa? = nesses casos, trata-se da própria palavra
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
O assustador “mesmo”
Todo mundo já deve ter lido o aviso: “Antes de entrar no elevador, verifique se o mesmo encontra-se parado neste andar”.
No lugar de nomes e pronomes, é indevido o uso da palavra “mesmo”, que pertence a diversas categorias gramaticais. “Mesmo” é correto quando usado nas seguintes situações:
1) como adjetivo/pronome (portanto variável), equivalente a “exato, idêntico, próprio, tal qual, em pessoa”. Exemplos:
- Sempre fui a mesma pessoa.
- Eles enfrentam os mesmos problemas.
- Eles mesmos confessaram o crime.
2) como advérbio (portanto invariável), significando “justamente, até, realmente”. Exemplos:
- Ela é mesmo muito bonita.
- Você mora aqui mesmo?
3) como conjunção concessiva, com o sentido de “apesar de, embora”. Exemplos:
- Mesmo te amando, vou embora.
- Eu não iria, mesmo querendo.
4) como substantivo (invariável, somente no masculino), com o significado de “a mesma coisa”. Exemplos:
- Infelizmente, ela fez o mesmo comigo.
- Ferir é o mesmo que machucar.
Na frase da primeira linha do post, o mais adequado é usar o pronome pessoal. “Antes de entrar no elevador, verifique se ele se encontra parado neste andar”, porque “o mesmo” não pode substituir um substantivo. Não convém escrever desta forma:
- Não consegui usar o telefone, porque o mesmo está quebrado. (correto: “Não consegui usar o telefone, porque [ele] está quebrado.”)
- Ontem encontrei Maria e convidei a mesma para almoçar. (correto: “Ontem encontrei Maria e a convidei para almoçar.”)
Na situação nº 4, “mesmo” funciona como substantivo, mas significando “a mesma coisa”; portanto, o uso é adequado. O problema é quando substitui um pronome (ele, ela, lhe, o/a) ou um nome. Perceba a diferença e evite o uso indevido.
No lugar de nomes e pronomes, é indevido o uso da palavra “mesmo”, que pertence a diversas categorias gramaticais. “Mesmo” é correto quando usado nas seguintes situações:
1) como adjetivo/pronome (portanto variável), equivalente a “exato, idêntico, próprio, tal qual, em pessoa”. Exemplos:
- Sempre fui a mesma pessoa.
- Eles enfrentam os mesmos problemas.
- Eles mesmos confessaram o crime.
2) como advérbio (portanto invariável), significando “justamente, até, realmente”. Exemplos:
- Ela é mesmo muito bonita.
- Você mora aqui mesmo?
3) como conjunção concessiva, com o sentido de “apesar de, embora”. Exemplos:
- Mesmo te amando, vou embora.
- Eu não iria, mesmo querendo.
4) como substantivo (invariável, somente no masculino), com o significado de “a mesma coisa”. Exemplos:
- Infelizmente, ela fez o mesmo comigo.
- Ferir é o mesmo que machucar.
Na frase da primeira linha do post, o mais adequado é usar o pronome pessoal. “Antes de entrar no elevador, verifique se ele se encontra parado neste andar”, porque “o mesmo” não pode substituir um substantivo. Não convém escrever desta forma:
- Não consegui usar o telefone, porque o mesmo está quebrado. (correto: “Não consegui usar o telefone, porque [ele] está quebrado.”)
- Ontem encontrei Maria e convidei a mesma para almoçar. (correto: “Ontem encontrei Maria e a convidei para almoçar.”)
Na situação nº 4, “mesmo” funciona como substantivo, mas significando “a mesma coisa”; portanto, o uso é adequado. O problema é quando substitui um pronome (ele, ela, lhe, o/a) ou um nome. Perceba a diferença e evite o uso indevido.
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
Vou estar falando do gerundismo...
Seja em sala de aula, nas reuniões de empresas, nos e-mails, nos serviços de telemarketing ou no banco, há sempre alguém que “vai estar anotando seu recado”, “vai estar indo a algum lugar” ou “vai estar pagando a conta”. O gerundismo vem se propagando cada vez mais como vício de linguagem que simula formalidade.
A locução “vou estar + gerúndio”, em si, não é errada, quando adequadamente aplicada. Nas frases citadas acima, o uso da locução é inadequado por se tratar de ações pontuais, específicas. Não comunicam a ideia de uma ação ou evento duradouro, contínuo, nem simultâneo a outro. Por exemplo, é correto dizer “Vou estar dormindo quando você chegar” (indica ações simultâneas) e “Amanhã vai estar chovendo o dia todo” (indica evento duradouro).
Para comunicar ações pontuais, não cabe o gerúndio. Simplesmente se diz “Vou passar seu recado” ou “Passarei seu recado”, “Vou verificar seus dados” ou “Verificarei seus dados” etc. Essas ações serão concluídas num ato isolado; não serão duradouras.
Não se engane pensando que essa é uma forma de polidez para se relacionar; muito pelo contrário, é um vício de linguagem, o que foge totalmente à norma culta da língua.
A locução “vou estar + gerúndio”, em si, não é errada, quando adequadamente aplicada. Nas frases citadas acima, o uso da locução é inadequado por se tratar de ações pontuais, específicas. Não comunicam a ideia de uma ação ou evento duradouro, contínuo, nem simultâneo a outro. Por exemplo, é correto dizer “Vou estar dormindo quando você chegar” (indica ações simultâneas) e “Amanhã vai estar chovendo o dia todo” (indica evento duradouro).
Para comunicar ações pontuais, não cabe o gerúndio. Simplesmente se diz “Vou passar seu recado” ou “Passarei seu recado”, “Vou verificar seus dados” ou “Verificarei seus dados” etc. Essas ações serão concluídas num ato isolado; não serão duradouras.
Não se engane pensando que essa é uma forma de polidez para se relacionar; muito pelo contrário, é um vício de linguagem, o que foge totalmente à norma culta da língua.
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